O Blackfield realizou a gravação de seu prometido DVD ao vivo em Nova Iorque, cidade já bem conhecida de seus dois principais membros. A banda, que conta com o cabeça do Porcupine Tree Steven Wilson e a lenda do rock israelense Aviv Geffen, já havia estado na cidade divulgando seu debut há alguns anos, e seu retorno a Big Apple se deu em um dia no qual os termômetros marcavam temperaturas abaixo de zero, e a neve caía por horas a fio, sem chance de trégua para os fãs que aguardaram por horas antes de finalmente entrar no Bowery Ballroom, um local famoso na cidade e pelo qual já passaram astros do rock mundial como o Coldplay e o Metallica.
A abertura do show se deu por volta das 21h com ninguém menos do que Jordan Rudess [tecladista do Dream Theater]. Foi uma apresentação um pouco diferente dos shows solo que o tecladista costuma fazer. Nada de samplers, sintetizadores ou os teclados modernos que conhecemos, e sim um belíssimo som de piano tirado de seu Kurzweill. Sem o apoio dos efeitos, Jordan tocou composições próprias mostrando todo seu virtuosismo e habilidade no piano, e ainda teve tempo de executar versões light de algumas favoritas do público como “Hollow Years” [Dream Theater], “Lazarus” [Porcupine Tree] e “The Court Of The Crimson King [King Crimson]. Uma fantástica maneira de se abrir uma noite tão especial.

O Blackfield tomou os palcos prontamente as 22:15h tocando a faixa que abre seu mais recente álbum – Blackfield II – intitulada “Once”. Munidos de uma presença de palco incrível, produção simples e um som extremamente cativante, o Blackfield conquistou o público desde sua primeira canção e os manteve atentos até o fim de sua apresentação.
O show seguiu com “1000 People”, “Blackfield” [que música incrível] e “Miss U”. Steven Wilson e Aviv Geffen comandaram a noite alternando vocais e melodias harmoniosas difíceis de serem repetidas. Aliás, Aviv é um bocado inusitado no palco, com seu visual andrógino repleto de glitter embaixo dos olhos e uma presença de palco que me lembra uma mistura de Prince com Freddy Mercury.

O pop/neo-progressivo do Blackfield é um bocado grudento, e não teve como não cantar junto canções como “Scars”, “Christenings”, “The Killer”, uma versão arrepiante de “Glow” com Aviv solo no piano, um cover de “Thank You” [Alanis Morissette], “Open Mind”, “Epidemic”, “My Gift Of Silence” e tantos outros sons fantásticos. O feeling que a banda possui em cima do palco é uma coisa que raramente se vê, e a atmosfera na casa proporcionou a todos uma experiência mágica e inesquecível, o que fez com que ao fim da apresentação o público [iniciado pelos brasileiros presentes, claro] iniciasse um coro chamando a banda de volta ao palco. O Blackfield tocou no bis mais uma vez a ótima “Once” e fechou sua apresentação com a famosa “Cloudy Now”, cantada em uníssono pelo público.
Uma noite de boa música difícil de ser esquecida. E caso alguém sinta uma leve falha na memória, o DVD deverá sair em breve para refrescar os pensamentos perdidos.

Créditos do texto: MILTON MENDONÇA
Fotos: Paula Coutinho
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