Sexta-feira, 17 de novembro, 10:30h da manhã. Para variar, o trânsito de São Paulo estava um caos, o que fez com que chegássemos alguns minutos atrasados à sede da editora HMP, onde o baterista Max Kolesne, do Krisiun, nos aguardava. Ele também teve problemas com o trânsito e praticamente tinha acabado de chegar.
Antes de começarmos, batemos um papo com Max a cerca do novo álbum, AssassiNation, cujo promo até hoje não recebemos da gravadora que o lançou no Brasil. Surpreso com a situação, o próprio baterista fez questão de nos entregar o disco.
Enquanto acertávamos os últimos detalhes antes de começar o debate sobre o FUTURO DO DEATH METAL, Max comentava sobre a última turnê da banda pelos EUA. Foram cerca de 100 shows pelo país de segunda a segunda. O death metal avassalador da banda levou os headbangers ianques à loucura. “Um dos problemas de se fazer uma turnê como essa no Brasil são as estradas, que dificultam a chegada até alguns estados. Aqui em São Paulo as estradas são boas, mas saiu daqui já vira um problema”, comenta Max.
O novo clipe da banda não cansa de passar no Headbangers Ball da MTV norte-americana. Definitivamente, o Krisiun não pára de crescer e a repercussão do novo álbum só vem coroar um trabalho que sempre foi fruto de muito esforço e dedicação. “Se a idéia for falar sobre este álbum do Possessed, só vou falar bem. Este disco é do caralho”, disse Max antes de entender completamente que nosso objetivo com a Mesa Redonda dessa edição era o de debater sobre o futuro do death metal, já que o estilo parece estagnado com bandas copiando umas as outras.
Faixa 1 – The Exorcist
ET: Escolhemos um álbum do Possessed como pano de fundo para essa Mesa Redonda justamente porque eles representam o marco zero do death metal enquanto que o Krisiun chegou aos extremos.
AM: Naquela época o que era conhecido como extremo era o Possessed, Venom, Celtic Frost...
MK: E principalmente o Slayer, que considero como o grande divisor disso tudo. O Possessed veio depois com influências do Slayer fazendo uma coisa mais satânica.
ET: Mesmo porque o Venom é bem Motörhead. É black metal em termos de letras.
MK: Uma música do Venom que influenciou muitas bandas de black metal foi a própria “Black Metal”. Praticamente todas as bandas se inspiraram naquele som, só que tentando fazer um disco inteiro naquele pique. A principal inspiração do Krisiun na questão da velocidade foram essas bandas antigas: Slayer, Possessed, Dark Angel, cujos discos eram umas cacetadas, apesar de ser um outro tipo de batida. Já estávamos nos anos 90, escutando Morbid Angel e outras bandas que tinham blasting beats, e resolvemos fazer essa mistura de linguagens fazendo um disco na linha de composição dessas bandas antigas, só que partindo para uma linha mais rápida.
ET: Vocês foram beber nas raízes para fazer um lance novo.
MK: Até hoje é assim. Sempre procuramos evoluir, mas as raízes sempre vão estar lá. Sempre quando você ouvir o Krisiun vai ouvir um pouco dos clássicos nos riffs, na forma de composição ou na atitude.
ET: Como músico de uma banda que elevou o death metal a outras fronteiras, você acha que o death metal está estagnado pelo fato de existirem muitas bandas iguais?
MK: Acho que não. Tem muita coisa que pode ser feita dentro do estilo, só que hoje tem muita banda indo na onda e poucas tentando criar o seu estilo. O grande lance, independente de ser death, thrash ou black, é criar o seu estilo, inovar, fazer um lance diferente. Às vezes a galera tem essa idéia da estagnação porque tem muita coisa repetida. Bandas brutais, mas que não passam feeling. Não tem vibe.
“O [Pete] Sandoval comentou que quando eles estavam gravando com o Terrorizer, o Jesse [Pintado] bebia escondido e achava que ninguém tava percebendo. O Jesse era um cara nota 10. Não falava mal de ninguém, um baita amigo, sempre com astral legal. Na nossa primeira turnê pelos EUA ficamos na casa dele. A mãe dele fez um rango pra nós, lavou nossas roupas, o cara era nota mil. Infelizmente foi pego pela cachaça” - Max Kolesne [Krisiun]
LEIA ESSA MATÉRIA NA EDIÇÃO 46 DA REVISTA ROCK HARD-VALHALLA.
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