As mulheres nunca estiverem tão presentes no rock como nos dias de hoje. Sabendo disso, reunimos um time forte de mulheres roqueiras para discutir mais sobre esse envolvimento feminino no rock. Afinal, o rock é um estilo de música machista por natureza? Por que há mais mulheres vocalistas do que instrumentistas? E será mesmo que as garotas se sentem mais atraídas por estilos mais suaves do que os mais pesados? Essas e outras questões foram debatidas por três musicistas de primeira como a vocalista e guitarrista Bianca Jordão, do Leela, a vocalista Dani Tabarelli, da banda Mekanica, e a veterana Cherry, ex-Okotô e atual Hell Sakura. A fim de contribuir com visões diferenciadas, a produtora responsável pelo festival Rock Feminino, Vivian Guilherme, e a assessora de imprensa e apresentadora da TV Rock, Paula Baldassari, também participaram conosco. A colaboradora e colunista da Rock Hard-Valhalla, Ana Elisa Lefay, completou o time cor-de-rosa. A mim, Eliton, restou a “difícil” tarefa de ser o único homem num debate só de mulheres. Chato, não? J
FAIXA 1 – SMASH AND GRAB
ET: Na opinião de vocês, qual é a causa desse “boom” de bandas femininas e desse maior envolvimento das garotas no rock? Afinal, há alguns anos, a mulher não tinha tanto espaço no rock como tem hoje.
AE: No Brasil não tinha muitas bandas femininas, mas lá foram sempre teve muitas bandas.
CS: Acho que é reflexo do começo do rock no Brasil e de como as coisas acontecem. É um processo natural.
BJ: Ao verem bandas formada por garotas, outras mulheres acabam se empolgando em montar a sua própria banda e vai juntando uma onda, até porque o rock é muito machista. Quando eu cresci, eu só ouvia bandas formada por garotos e nem imaginava que existiam bandas com mulheres. Eu mesma nunca tive vontade de ter banda com mulheres. Minha vontade mesmo era divulgar a cena rock, correr atrás das coisas, e aos poucos eu fui percebendo: “por que não tocar e estar ali na frente”? Quando a gente é criança, a mãe nos coloca nas aulas de balé e essas coisas de mulher, enquanto os garotos vão para as aulas de guitarra, bateria, etc. Desde pequeno os pais acabam dando essa direção. É aquela coisa: menina brinca com boneca e homem de carrinho. Eu, pelo menos, se tiver uma filha vou colocar ela numa aula de guitarra logo.
DT: Antes tinha até aqueles movimentos para as mulheres terem os mesmos direitos que os homens, mas hoje eu acho que não precisa disso. Há alguns anos atrás havia um domínio dos homens, mas hoje não tem mais essa. É igualdade pra todos, seja negro, mulher, gay... não tem mais essa.
PB: Isso é reflexo social. A sociedade sempre foi patriarcal e normalmente sempre teve essa história de que rock era coisa de homem. Mas as pessoas têm que se lembrar de Etta James, Aretha Franklin, Janis Joplin e várias outras mulheres que fizeram coisas legais a vida inteira. Essas mulheres tiveram a oportunidade e a atitude de chegar junto antes porque elas sim tiveram que peitar a sociedade. O fato da sociedade hoje ser mais aberta fez com que as mulheres entrassem de vez em todos os mercados. Inclusive, no rock.
CONFIRA ESSA MATÉRIA NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO 53 DA REVISTA ROCK HARD-VALHALLA.
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