{"id":255,"date":"2017-11-17T14:07:43","date_gmt":"2017-11-17T16:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/?p=255"},"modified":"2021-09-25T15:36:36","modified_gmt":"2021-09-25T18:36:36","slug":"megadeth-espaco-das-americas-sao-paulosp-31-de-outubro-de-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/megadeth-espaco-das-americas-sao-paulosp-31-de-outubro-de-2017\/","title":{"rendered":"Megadeth &#8211; Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas (S\u00e3o Paulo\/SP) &#8211; 31 de Outubro de 2017"},"content":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi<\/p>\n<p>Tempo, tempo, tempo&#8230; V\u00ea-lo, n\u00e3o se pode. Toc\u00e1-lo tampouco. Ainda assim, sua onipresen\u00e7a \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a vida. Nascemos, vivemos e morremos sob a sombra do Tempo! Pai Tempo, Deus Tempo.<\/p>\n<p>Nesses dias atuais Ele parece passar mais r\u00e1pido. E passa, embora os tr\u00eas ponteiros, a sant\u00edssima trindade do rel\u00f3gio, permane\u00e7am sendo os mesmos, como se fossem elementos transcendentes \u00e0 sua pr\u00f3pria natureza temporal.<\/p>\n<p>Me lembro na \u00e9poca da revista Valhalla que receb\u00edamos as respostas de pedidos de credenciamento para shows com semanas de anteced\u00eancia, as vezes meses, o que nos permitia uma melhor prepara\u00e7\u00e3o. Para esse show do Megadeth recebemos a confirma\u00e7\u00e3o de nosso credenciamento \u00e0s 20:00 do dia 30 de Outubro, ou seja, menos de 24 horas antes do show. \u00c9 preciso acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o c\u00edclica do Tempo sob o risco de ser engolido por Ele. Poucas horas depois, pegamos estrada para S\u00e3o Paulo.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-256\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vimic--297x300.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vimic--297x300.jpg 297w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vimic--768x776.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vimic--1013x1024.jpg 1013w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vimic-.jpg 1266w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p>Confesso que desconhecia por completo a banda Vimic quando cheguei ao Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas. Pensei se tratar de mais uma banda brasileira de poderosos donos de ag\u00eancia de publicidade ou planos de sa\u00fade que conseguem comprar a abertura para o Megadeth como se compra pastel e caldo de cana na feira.<\/p>\n<p>Quando os m\u00fasicos come\u00e7aram a entrar no palco percebi que n\u00e3o se tratava de uma banda brasileira, e ent\u00e3o reconheci o baterista, Joey Jordison, ex- Slipknot. Em outros Tempos de cobertura de show esse momento era desesperador, pois era preciso saber quem eram os m\u00fasicos ali no palco, tomar nota dos nomes das m\u00fasicas, etc. Em Tempos atuais basta-se dar um Google, ali mesmo no meio da plateia, para se ter a ficha completa da banda e at\u00e9 mesmo o repert\u00f3rio do show. N\u00e3o tem gra\u00e7a. &#x1f60a;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o teve gra\u00e7a o show do Vimic. Por mais que a banda se esfor\u00e7asse atrav\u00e9s de seu entusiasmo, o grupo \u00e9 cheio de v\u00edcios do metal contempor\u00e2neo, soando \u201ccorreto demais\u201d. Tudo \u00e9 bem-feitinho, seguem a cartilha de sucesso da \u201cNew Wave Of American Heavy Metal\u201d de forma quase militar. O vocalista Kalen Chase at\u00e9 vestia terno! Faltou subvers\u00e3o! Ao inv\u00e9s de romper, o\u00a0grupo segue padr\u00f5es. O Vimic me contagiou tanto quanto haviam me contagiado antes do show come\u00e7ar.<\/p>\n<p>A primeira vez que vi o Megadeth ao vivo foi h\u00e1 mais de 20 anos, mais especificamente em 1995 na segunda edi\u00e7\u00e3o do Monsters Of Rock. A \u00faltima tinha sido no festival SWU em 2011. Nesse intervalo, vi a banda mais algumas vezes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-257\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3334-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3334-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3334-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3334-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3334.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>Sinto-me confort\u00e1vel, portanto, e tenho o Tempo como \u00e1libi, para afirmar que esse foi o melhor show do Megadeth que assisti! Contrariando as expectativas pessimistas &#8211; expressas atrav\u00e9s de coment\u00e1rios entre os metalheads antes do show, que consideravam Dave Mustaine uma v\u00edtima do Tempo, especialmente no que se refere a sua voz &#8211; o eterno ex-guitarrista do Metallica cantou, executou e desempenhou o repert\u00f3rio inteiro com a capacidade que lhe \u00e9 peculiar: sem mais, nem menos, rigorosamente como esperam os f\u00e3s e como determina o padr\u00e3o de entrega do grupo.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-258\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3298-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3298-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3298-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3298-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3298.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\nAli\u00e1s, aqui cabe uma paralela com o Vimic: se o Megadeth entrega um show politicamente correto, esse o faz baseado num padr\u00e3o original, criado por eles pr\u00f3prios, com especificidades e caracter\u00edsticas \u00fanicas e que, se hoje significam a \u201cformula de sucesso\u201d da banda, h\u00e1 algum Tempo atr\u00e1s foi uma aposta, uma express\u00e3o de subjetividade, uma resposta amargurada, a vingan\u00e7a de um membro expulso de uma banda de sucesso. Enquanto que o Vimic parece mais querer se apropriar desse Tempo, sem a mesma viv\u00eancia, pegando atalho em f\u00f3rmulas alheias. O Megadeth \u00e9 correto para os padr\u00f5es do politicamente incorreto. O Vimic \u00e9 correto para os padr\u00f5es do politicamente correto. A diferen\u00e7a \u00e9 grande, e significativa, para um movimento nascido na contracultura, como o rock e o metal.<\/p>\n<p>Enquanto David Ellefson segue o mesmo padr\u00e3o de compet\u00eancia de Mustaine, ficou evidente que a renova\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica da banda \u00e9 responsabilidade quase integral de Kiko Loureiro e do baterista do Soilwork, Dirk Verbeuren. Parece ser quase obrigat\u00f3rio \u2013 com algumas exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro \u2013 que uma banda veterana adicione integrantes mais jovens \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o como num respeito quase religioso ao Tempo, permitindo-se manter relevante \u00e0 contemporaneidade, tanto em est\u00fadio como no palco. Sem em \u201cDystopia\u201d continua prevalecendo o regime ditatorial de Mustaine no que se refere a composi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode dar menos valor a interpreta\u00e7\u00e3o e abordagem musical de Kiko Loureiro. E ao vivo sua performance fala por si, transbordante de uma alegria que contracena harmonicamente com a inerente insol\u00eancia de Mustaine. Ali\u00e1s, o pr\u00f3cer, que \u00e9 defensor de uma vis\u00e3o pol\u00edtica neoliberal de direita, parece n\u00e3o se sentir a vontade toda vez que a plateia brasileira grita \u201cKiko, Kiko, R\u00e1 R\u00e1 R\u00e1\u201d. &#x1f60a;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-259\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3285-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3285-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3285-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3285-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/MG_3285.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O in\u00edcio do show com \u201cHangar 18\u201d, al\u00e9m de \u201cIn My Darkest Hour\u201d, \u201cTake No Prisoners\u201d, \u201cMechanix\u201d, \u201cPeace Sells\u201d e o bis com \u201cHoly Wars&#8230; The Punishment Due\u201d foram, para mim, os momentos de maior emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parafraseando a mim mesmo, o Tempo \u00e9 preponderante no rock &#8216;n&#8217; roll. Queiramos ou n\u00e3o, a soberania do cl\u00e1ssico chega a ser ditatorial diante do contempor\u00e2neo. Tentar destituir o Metallica e o Megadeth do poder \u00e9 como profanar o sagrado. De forma que muitas bandas contempor\u00e2neas n\u00e3o fazem mais do que aglutinar pap\u00e9is coadjuvantes numa perpetua\u00e7\u00e3o decrescente do velho rock (Vimic). A genialidade de Dave Mustaine (e de David Ellefson tamb\u00e9m, porque n\u00e3o?) consiste n\u00e3o somente em escrever m\u00fasicas da mais alta qualidade para os padr\u00f5es do thrash metal, mas por terem aprendido a transcender o Tempo, o pr\u00f3prio Senhor de seus destinos, perpetuando-se no cora\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s para al\u00e9m do pr\u00f3prio fim de seu Tempo: a (mega) morte.<\/p>\n<p>Para ver mais fotos desse show, acesse a galeria da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/240050376519117\/photos\/?tab=album&amp;album_id=260957651095056\">Suzy Fotografia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi Tempo, tempo, tempo&#8230; V\u00ea-lo, n\u00e3o se pode. Toc\u00e1-lo tampouco. Ainda assim, sua onipresen\u00e7a \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a vida. Nascemos, vivemos e morremos sob a sombra do Tempo! Pai Tempo, Deus Tempo. Nesses dias atuais Ele parece passar mais r\u00e1pido. 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