{"id":291,"date":"2017-11-20T23:39:42","date_gmt":"2017-11-21T01:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/?p=291"},"modified":"2017-11-21T11:58:23","modified_gmt":"2017-11-21T13:58:23","slug":"o-velho-contra-o-novo-o-novo-contra-o-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/o-velho-contra-o-novo-o-novo-contra-o-novo\/","title":{"rendered":"O velho contra o novo, o novo contra o novo"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente\u00a0recebi atrav\u00e9s de um grupo do WhatsApp um cartaz com as supostas atra\u00e7\u00f5es da edi\u00e7\u00e3o 2018 do festival HellFest na Fran\u00e7a, um dos maiores e mais importantes de todo o mundo no segmento rock\/metal. Todos os participantes desse grupo estavam muitos exaltados comentando o quanto aquele line-up estava incr\u00edvel, com v\u00e1rias bandas que todos adoravam. Inclusive eu, \u00e9 claro!<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-307\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hellfest-1.jpg\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hellfest-1.jpg 1199w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hellfest-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hellfest-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hellfest-1-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><\/p>\n<p>Pouco tempo depois, sob um olhar mais cr\u00edtico, observei que se por um lado aquele line-up era mesmo algo de espetacular, por outro era um grande desastre!<\/p>\n<p>A desventura, nesse caso, se apoia na baix\u00edssima quantidade de bandas novas no line-up de um festival t\u00e3o importante como o Hellfest \u2013 \u00a0exemplo praticamente un\u00e2nime entre todos os outros principais festivais de rock pesado ao redor do mundo. E a fatalidade desse caso se apoia em quest\u00f5es naturais: os m\u00fasicos das bandas cl\u00e1ssicas, antigas, n\u00e3o sobreviver\u00e3o para sempre!<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 mesmo simples: n\u00e3o h\u00e1 bandas novas porque as pessoas n\u00e3o querem ouvir bandas novas! Mesmo os f\u00e3s mais jovens do estilo (que continuam surgindo) preferem ouvir os grandes medalh\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a l\u00f3gica \u00e9 simples para a aus\u00eancia de novas bandas nos importantes festivais internacionais, h\u00e1 de ser tamb\u00e9m para explicar a falta de interesse do p\u00fablico por essas bandas novas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>&#8220;Na verdade, h\u00e1 muita m\u00fasica boa por a\u00ed. Essa \u00e9 a not\u00edcia boa. A not\u00edcia ruim \u00e9 que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para a m\u00fasica boa se destacar das outras m\u00fasicas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o boas, por conta do \u00f3bvio desaparecimento da ind\u00fastria da m\u00fasica.&#8221; &#8211; Lars Ulrich.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa declara\u00e7\u00e3o acima foi dada pelo baterista do Metallica ao programa &#8220;Rock Show With Daniel P. Carter&#8221; da BBC Radio 1. E se h\u00e1 uma autoridade m\u00e1xima no mercado do rock e heavy metal s\u00e3o os donos da marca Metallica. Assim como a Apple ou Microsoft, o Metallica saiu de uma garagem para se tornar uma das marcas de maior sucesso e mais valiosas em todo mundo. Lars e James Hetfield, ao lado de Ozzy Osbourne, s\u00e3o os m\u00fasicos de heavy metal mais ricos do metal em todo o mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares cada. Ent\u00e3o se estamos analisando m\u00fasica pesada pela perspectiva mercantil, eles s\u00e3o, definitivamente, a refer\u00eancia m\u00e1xima. De forma que as palavras de Lars \u2013 e as a\u00e7\u00f5es do Metallica \u2013 s\u00e3o determinantes para tentarmos entender porque h\u00e1 um desinteresse do p\u00fablico por novas bandas.<\/p>\n<p>Considerar a falta de qualidade e relev\u00e2ncia das bandas contempor\u00e2neas \u00e9 no m\u00ednimo dispens\u00e1vel. Quem delibera a favor desse argumento o faz destitu\u00eddo de qualquer l\u00f3gica e denota nada mais do que um comportamento indolente frente a numerosa e diversa produ\u00e7\u00e3o criativa contempor\u00e2nea. \u00a0\u201c(&#8230;) h\u00e1 muita m\u00fasica boa por a\u00ed\u201d, afirmou Ulrich que pesquisa bandas novas no Youtube para tocar em seu programa de r\u00e1dio \u201cIt\u2019s Eletric\u201d.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o proposta por Ulrich \u00e9, portanto, a mais razo\u00e1vel de todas: o \u201c\u00f3bvio desaparecimento da ind\u00fastria da m\u00fasica\u201d. Peter Mensch, propriet\u00e1rio da Q Prime, companhia que empresaria o Metallica (al\u00e9m de AC\/DC, Def Leppard, Red Hot Chili Peppers, etc), tamb\u00e9m em entrevista, \u00e0 BBC Radio 4, delibera a favor de Ulrich ao dizer que a raz\u00e3o pelo n\u00e3o surgimento de novas bandas est\u00e1, de fato, na falta de investimentos no mercado: \u201cAs vendas de discos ou streaming n\u00e3o s\u00e3o muito significativas e h\u00e1 menos dinheiro para o lan\u00e7amento de novas bandas do que h\u00e1 20 anos\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-298 size-medium\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Wacken-Open-Air-Poster-2017-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Wacken-Open-Air-Poster-2017-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Wacken-Open-Air-Poster-2017.jpg 721w\" sizes=\"auto, (max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/p>\n<p>Por uma perspectiva sociopol\u00edtica poder\u00edamos aqui fazer refer\u00eancia a teoria do capitalismo tardio, mas como nossas pretens\u00f5es s\u00e3o mais modestas, vale apenas destacar o comportamento dos metalheads enquanto sociedade de consumo. Sem investimentos, portanto sem produ\u00e7\u00e3o de novos produtos (novas bandas), o consumo se concentra apenas nos produtos j\u00e1 dispon\u00edveis no mercado (antigas bandas).<\/p>\n<p>A media\u00e7\u00e3o do Estado nesse momento passa a ser fundamental. Especialmente porque atrav\u00e9s das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura, a m\u00fasica, o rock, o heavy metal ganham novas defini\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da antropologia que promovem o resgate da expressividade, do simb\u00f3lico, da identidade, dos sujeitos, conferindo-lhes maior valor frente a produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica em s\u00e9rie (LPs, CDs, streamings, etc). Mas as pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura est\u00e3o longe de serem solu\u00e7\u00f5es para que novas bandas de <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-299 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sweden-rock-festival-2015-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sweden-rock-festival-2015-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sweden-rock-festival-2015.jpg 679w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/>rock\/metal estejam mais presentes nos grandes festivais internacionais de rock e heavy metal. Embora possam ser absolutamente significativas para a manuten\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o criativa e forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, elas n\u00e3o s\u00e3o pactuantes com o mercado.<\/p>\n<p>Frente ao desaparecimento da ind\u00fastria e o balizamento das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura, a utopia roqueira de liberdade de pensamento \u00e9 sempre um recurso. \u00a0O maior desafio, nesse caso, \u00e9 exercer essa liberdade em grupo, uma vez que estamos lidando com uma quest\u00e3o da coletividade. A falta de interesse do p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 exclusividade de nenhuma banda nova, mas de todas, no plural, sem restri\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rio, ra\u00e7a, g\u00eanero ou qualquer aspecto discriminat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Reiterar a favor da competitividade nesse momento \u00e9 como brigar para roer ossos. E esse parece ser o comportamento predominante na contemporaneidade metaleira. Mais razo\u00e1vel seria que bandas e m\u00fasicos se unissem e deliberassem a favor do trabalho em grupo para tentar encontrar solu\u00e7\u00f5es criativas e \u00e9ticas. Se no final n\u00e3o conseguirem tocar no Hellfest, pelo menos, atrav\u00e9s da uni\u00e3o, j\u00e1 ter\u00e3o criado seu pr\u00f3prio festival de bandas novas. At\u00e9 mesmo o Hellfest teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>\u201cSe quiser ir r\u00e1pido, v\u00e1 sozinho. Se quiser ir longe, v\u00e1 em grupo.\u201d \u2013 <strong>Prov\u00e9rbio Africano.<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<h5>(Essa postagem foi feita no Dia da Consci\u00eancia Negra)<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente\u00a0recebi atrav\u00e9s de um grupo do WhatsApp um cartaz com as supostas atra\u00e7\u00f5es da edi\u00e7\u00e3o 2018 do festival HellFest na Fran\u00e7a, um dos maiores e mais importantes de todo o mundo no segmento rock\/metal. 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