{"id":599,"date":"2020-05-26T01:16:05","date_gmt":"2020-05-26T04:16:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/?p=599"},"modified":"2022-08-27T17:44:23","modified_gmt":"2022-08-27T20:44:23","slug":"o-pos-headbanger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/o-pos-headbanger\/","title":{"rendered":"O p\u00f3s-headbanger"},"content":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi<\/p>\n<p>E o mundo parou. Perante uma amea\u00e7a invis\u00edvel.<br \/>\nAs implica\u00e7\u00f5es do isolamento social, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o bastante vis\u00edveis. Por\u00e9m necess\u00e1rias.<br \/>\nO trabalho em home-office, a atividade f\u00edsica no quintal ou na sala de estar&#8230; A pior parte talvez seja a priva\u00e7\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o, da manifesta\u00e7\u00e3o de afeto pelo toque, pelo olhar. O desejo do outro tornou-se medo.<\/p>\n<p>No mundo das artes, especialmente da m\u00fasica, as implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o mesmo impactantes. Seja por sua natureza p\u00fablica, seja por depender, em grande parte, de uma sociabilidade presencial: os shows!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-602 alignright\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Roadie-Crew-Online-Festival-Edi\u00e7\u00e3o-Maio-2020.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Para as bandas economicamente grandes, aqui me refiro aquelas bem famosas que fazem shows e turn\u00eas o ano todo, \u00a0as consequ\u00eancias da pandemia por coronav\u00edrus est\u00e3o sendo mesmo problem\u00e1ticas. O setor, que j\u00e1 sofreu duros golpes e transforma\u00e7\u00f5es por conta da digitaliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, agora tamb\u00e9m tem sob amea\u00e7a sua principal fonte de receitas, que s\u00e3o os shows ao vivo.<\/p>\n<p>Por outro lado, para as bandas do underground, que com muito trabalho conseguem tocar alguns poucos shows por ano, e que precisam fazer esfor\u00e7os descomunais para mobilizar p\u00fablico para esses mesmos shows \u2013 esfor\u00e7os esses, na maioria das vezes, frustrados \u2013 \u00e0s mudan\u00e7as as quais j\u00e1 estamos sendo submetidos podem significar muito mais oportunidades do que desafios.<\/p>\n<p>A desconstru\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da normalidade pode potencializar novas formas de pensar e agir. A criatividade, nesse momento, pode fazer germinar ideias que ser\u00e3o consideradas novas normalidades no p\u00f3s-pandemia.<\/p>\n<p>As \u201clives\u201d e os eventos online, como o festival \u201cRoadie Crew &#8211; Online Festival\u201d, tem demonstrado certa compet\u00eancia para isso. S\u00e3o mais horizontais e democr\u00e1ticos no acesso ao p\u00fablico e \u00e0s bandas, possibilitando que novos e mais grupos cheguem at\u00e9 o grande p\u00fablico. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do \u201cRoadie Crew &#8211; Online Festival\u201d, por exemplo, foi assistido por mais de 10 mil pessoas s\u00f3 na estreia pelo live-streaming! Se pensado no formato tradicional, um evento com essas caracter\u00edsticas n\u00e3o mobilizaria o mesmo p\u00fablico nem na mais ut\u00f3pica expectativa.<\/p>\n<p>\u00c0s margens das caracter\u00edsticas desse tipo de evento online, est\u00e3o tamb\u00e9m os h\u00e1bitos culturais contempor\u00e2neos do p\u00fablico, mais especificamente dos headbangers. Dados recentes apontam que cerca de 78% do p\u00fablico que participou desse tipo de evento est\u00e1 na faixa et\u00e1ria compreendida entre 25 e 45 anos de idade. N\u00e3o obstante, 65% tamb\u00e9m s\u00e3o do sexo masculino.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil tra\u00e7ar um perfil do headbanger contempor\u00e2neo. Tampouco entender que no p\u00f3s-pandemia, o headbanger voltar\u00e1 a frequentar os shows de suas bandas preferidas quando essas vierem ao Brasil. O fetiche heavy metal dos caros e grandes shows em est\u00e1dios e casas de espet\u00e1culos, das pistas vips e do merchandise, ter\u00e3o for\u00e7a econ\u00f4mica e cultural para retornarem, mesmo que isso leve anos. J\u00e1 o underground est\u00e1 compelido a uma reinven\u00e7\u00e3o. E quem sabe a uma solu\u00e7\u00e3o: a aceita\u00e7\u00e3o de que o p\u00f3s-headbanger, mesmo antes da pandemia, j\u00e1 preferia curtir metal underground #emcasa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi E o mundo parou. Perante uma amea\u00e7a invis\u00edvel. As implica\u00e7\u00f5es do isolamento social, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o bastante vis\u00edveis. Por\u00e9m necess\u00e1rias. O trabalho em home-office, a atividade f\u00edsica no quintal ou na sala de estar&#8230; A pior parte talvez seja a priva\u00e7\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o, da manifesta\u00e7\u00e3o de afeto pelo toque, pelo olhar. 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