{"id":802,"date":"2022-08-27T14:14:35","date_gmt":"2022-08-27T17:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/?p=802"},"modified":"2022-08-27T17:42:14","modified_gmt":"2022-08-27T20:42:14","slug":"o-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/o-publico\/","title":{"rendered":"O p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi<\/p>\n<p>Andy Warhol profetizou! S\u00e3o chegados os tempos. Todos est\u00e3o matando e morrendo pelos seus 15 minutos de fama.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mais quer ser apenas p\u00fablico, expectador. Todos querem estar nos palcos, sob os holofotes. Isso \u00e9 bom se o intuito \u00e9 ser criativo, expressar-se, afinal, arte \u00e9 sobre liberdade, incondicional, inclusive para al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es do tecnicismo. Mas quando o interesse pela fama sobrep\u00f5e-se ao desejo pelo sucesso como realiza\u00e7\u00e3o subjetiva, temos que recorrer a Freud.<\/p>\n<p>De acordo com Sigmund Freud, h\u00e1 em algumas pessoas uma busca incessante para serem notadas e admiradas. E para entender os motivos disso, \u00e9 preciso voltar \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><em>\u201cSegundo Freud, a crian\u00e7a, ao nascer, se depara com uma sociedade neur\u00f3tica e vai se moldando aos poucos, tornando-se mais e mais sens\u00edvel a essa neurose. A crian\u00e7a quer chorar, gritar, expressar livremente seus sentimentos e at\u00e9 sua agressividade, mas precocemente \u00e9 reprimida em seus atos, para ser apreciada e amada. Ela deve se comportar para ser aceita e querida e assim pode ir aprendendo a ter a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o externa sobre os seus comportamentos. Ela percebe, ou sente que existe um padr\u00e3o para \u201cacessar o amor do outro\u201d e, cada vez que ela n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar esse padr\u00e3o em suas experi\u00eancias, se sente insegura e frustrada, dando in\u00edcio ao processo de neuroses. O amor deixa de ser algo entendido como natural, inerente, incondicional, para ser visto como algo a ser conquistado, ou seja, surge a necessidade de \u201cse fazer amado\u201d. Dessa forma, de acordo com essas primeiras experi\u00eancias infantis e conforme as frustra\u00e7\u00f5es como estas v\u00e3o crescendo, a autoestima vai diminuindo, criando-se uma lacuna entre o querer e o conseguir ser amado. O amor-pr\u00f3prio diminui gradativamente frente \u00e0s inseguran\u00e7as surgidas. Sem amor-pr\u00f3prio o amor ao outro se torna um processo dificultoso e \u00e1rduo.\u201d<br \/>\n<\/em>Fonte: Carla, Daniela Rodrigues, Revista Psique \u2013 set.19<\/p>\n<p>Com o fim das restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias por conta da pandemia, estamos vivendo agora uma epidemia (boa) de shows de rock e metal no Brasil. J\u00e1 pararam para contar quantos shows, principalmente internacionais, est\u00e3o agendados no Brasil daqui at\u00e9 o final do ano? Claro que n\u00e3o vou nunca me ausentar de criticar a compuls\u00e3o, essa obsess\u00e3o doentia pelas bandas estrangeiras. Os shows internacionais recebem a maior aten\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, produtores, m\u00eddia e at\u00e9 das pr\u00f3prias bandas nacionais que se sujeitam a pagar quantias bastante expressivas de dinheiro para fazer um show de abertura para uma atra\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Mas se os shows internacionais est\u00e3o sempre lotados, alguns \u201csold-out\u201d, mesmo em meio a uma crise econ\u00f4mica, e moral, protagonizada pelo atual (des)governo federal, os shows de bandas brasileiras padecem com a falta de p\u00fablico. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, claro, mas quem realmente vive o underground nacional sabe da dificuldade de se mobilizar p\u00fablico para os shows de bandas brasileiras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-804 alignright\" src=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Freud-pop-art-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Freud-pop-art-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Freud-pop-art-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Freud-pop-art-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.valhalla.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Freud-pop-art.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Entender o porqu\u00ea disso talvez seja o mais complexo objeto de estudo desse movimento cultural de rock e heavy metal no Brasil. S\u00e3o numerosas as hip\u00f3teses para isso e n\u00e3o contamos com uma base de dados &#8211; como um mapeamento cultural, por exemplo -, para tentar chegar a conclus\u00f5es t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Sabemos apenas que contamos com um dos maiores p\u00fablicos de rock e heavy metal do mundo, e tamb\u00e9m de bandas. S\u00f3 no site Metal Archives \u2013 \u00a0poss\u00edvel refer\u00eancia para o assunto -, no Brasil h\u00e1 7420 bandas de heavy metal cadastradas, sendo o quarto por quantidade, atr\u00e1s apenas de Estados Unidos com mais de 35 mil bandas, Alemanha com mais de 12 mil bandas cadastradas e It\u00e1lia com 7511 bandas. O Brasil est\u00e1 \u00e0 frente mesmo de pa\u00edses que foram fundamentais para o surgimento do estilo\/movimento como o Reino Unido, Canad\u00e1 e Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>Mas voltando a Warhol e Freud, me questiono se os 15 minutos de fama, potencializados pelas m\u00eddias sociais, n\u00e3o est\u00e3o \u201csubindo \u00e0 cabe\u00e7a\u201d dos m\u00fasicos e suas bandas e fazendo com que eles negligenciem a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico que \u00e9 formado por indiv\u00edduos com a mesma necessidade de \u201cacessar o amor do outro\u201d. Penso que, em paralelo as a\u00e7\u00f5es convencionais de divulga\u00e7\u00e3o, seja interessante reconhecer e acessar a subjetividade dos p\u00fablicos, diminuir as dist\u00e2ncias entre famosos e f\u00e3s e resignificar essa rela\u00e7\u00e3o para algo mais pr\u00f3ximo das rela\u00e7\u00f5es entre amigos. Na ocasi\u00e3o de um show, seria razo\u00e1vel convidar o f\u00e3 como quem convida um amigo para jantar: um convite inbox, via direct, no privado, ou algo que o valha, dizendo: \u201cHey Fulano, como \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1, cara? Minha banda vai tocar hoje, sua presen\u00e7a seria muito importante para mim e me deixaria muito feliz\u201d. Nem s\u00f3 de metal vive o headbanger, um pouco de amor n\u00e3o faz mal de vez em quando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eliton Tomasi Andy Warhol profetizou! S\u00e3o chegados os tempos. Todos est\u00e3o matando e morrendo pelos seus 15 minutos de fama. Ningu\u00e9m mais quer ser apenas p\u00fablico, expectador. Todos querem estar nos palcos, sob os holofotes. 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