Nad Sylvan – Capitão do próprio navio
Postado em 08 de agosto de 2017 @ 17:13 | 215 views


Se você acompanha a carreira solo de Steve Hackett (ex-guitarrista do Genesis) com certeza o vocalista Nad Sylvan não lhe passou desapercebido. Seja pela sua voz – um sinistro encontro entre Peter Gabriel e Phil Collins  – seja pelo seu porte físico – um grandalhão com traços femininos, dono de uma longa cabeleira loira.

Norte-americano de nascimento criado pelos avós na Suécia, Nad Sylvan começou a tocar piano aos quatro e fez seu primeiro show aos oito anos de idade. Depois de ter trabalhado com Michael B. Tretow (produtor do ABBA) e ter tentado montar sua própria banda, ele quase desistiu de tudo até que, acidentalmente, conheceu o rock progressivo.

Em 2008 Nad Sylvan se envolveu com o projeto Unifaun, que é basicamente um tributo a fase setentista do Genesis através de composições autorais. O disco do Unifaun, e mais especificamente a voz de Nad, chamaram a atenção de Roine Stolt do The Flower Kings e Transatlantic. Juntos eles formaram o Agents Of Mercy e lançaram três discos.

Mas tudo mudou mesmo para Nad quando ele recebeu um email: “Oi Nad, aqui é o Steve Hacket…” 

O bom de se poder levar um site como esse sem qualquer interferência do mercado ou preocupação com número de acessos, é poder, quando se bem entender, escolher o coadjuvante e não o protagonista. Na entrevista a seguir falaremos sim um pouco sobre Steve Hackett, mas o foco é conhecer as especificidades de um músico coadjuvante com potencialidades para o protagonismo.

E em “The Bride Said No” é Nad Sylvan quem assume o leme do próprio navio. Como deve ser.

Eliton – Oi Nad, como vai? Parabéns pelo novo álbum, cara. Está ótimo.

Nad Sylvan – Oi Eliton. Obrigado, fico feliz que tenha gostado. Nada mal comigo! Estive em uma turnê de duas semanas pela Nova Zelândia e Austrália. Tocamos nosso último show hoje a noite (05/08/2017) em Melbourne e amanhã voltamos para a Europa. Foi uma experiência sensacional para todos nós.

Eliton – Que massa! Nad, 20 anos separam seu disco de estreia, “The Life Of A Housewife”, do novo trabalho, “The Bride Said No”. Você transformou uma dona de casa em noiva! 😊 É assim, de alguma forma, que sua carreira se desenvolveu, do fim para o começo?

Nad – Haha, OK… Engraçada essa sua definição, realmente isso nunca me passou pela cabeça. Mas eu vejo sim essa conexão. Simplesmente coincidência. A viúva do meu álbum anterior, “Courting The Widow”, é a noiva desse novo disco. Há uma trama rolando, devo admitir.

Eliton – Musicalmente você vê conexão entre seus primeiros discos solo com os que você gravou com o Steve Hackett, com o Agents Of Mercy e outros artistas, até chegar em “The Bride Said No”?

Nad – Bem, suponho que a conexão tenha iniciado com o álbum “Unifaun” que saiu em 2008, ele foi o ponto de partida para onde estou hoje. Isso foi dito a mim pelos próprios Roine Stolt e Steve Hackett.

Eliton – Então a noiva disse não… (“The Bride Said No”). Você disse que a noiva é a viúva do seu disco anterior? Mas quem é o noivo?

Nad – Sim, a noiva é a viúva do disco anterior. O noivo é meu próprio personagem de palco, o Vampirate, que matou seu próprio filho para estar com sua esposa que depois tornou-se a viúva na história. Ela eventualmente se vinga do marido ao rejeitá-lo no altar. Para um artista do progressivo as minhas letras podem soar um pouco românticas algumas vezes, mas eu gosto de manter essa peculiaridade uma vez que esse é o segundo álbum de uma trilogia. As músicas que tenho feito para a “viúva” e para a “noiva” são muito mais uma analogia para um barco explorando novos mares. O passado, o presente e um possível futuro.

Eliton – Você contou com uma lista de honrados convidados especiais no álbum: Steve Hackett (é claro), Roine Stolt, Nick D´Virgilio, Tony Levin, apenas para mencionar alguns. Como você se sente ao lembrar do seu passado e a dificuldade de se estabilizar uma banda e agora ter o privilégio de ter alguns dos melhores músicos do mundo tocando no seu disco?

Nad – É o máximo! Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer. Eu trabalhei duro para chegar onde estou hoje. Muitos retrocessos e rejeições no meu passado. Mas se você aguentar e for teimoso suficiente para acreditar em você mesmo, você eventualmente será recompensado. Eu sinto como se tivesse sido.

Eliton – Quais são as diferenças de se trabalhar num disco do Steve Hackett e no seu próprio? Quem é o melhor chefe? 😊

Nad – Tenho que ser honesto.  Você é sempre o capitão do seu navio. Mas sempre motivamos um ao outro para dar o seu melhor.

Eliton – Aliás, você consideraria sua carreira-solo como um projeto paralelo aos seus compromissos com o Steve Hackett?

Nad – Desde 2013 que passei a viver apenas das turnês com o Steve. Então ele ainda é minha prioridade número um. Eu fiz uma promessa a ele de que ficaria na banda até quando ele precisasse de mim. Leva muito tempo para se estabilizar-se como um artista solo. Apenas dê uma olhada na carreira do próprio Steve Hackett e entenderá o que quero dizer. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer antes de estar no mesmo tipo de situação. Mas, é claro, eu adoraria que isso acontecesse.

Eliton – Nad, eu te vi cantando com o Steve Hackett em Março de 2015 em São Paulo. Cara, que show fantástico! Aquela foi sua primeira vez no Brasil?

Nad – Sim, foi minha primeira vez e eu absolutamente amei o seu país. Espero voltar em breve.

Eliton – E quais são suas memórias do Brasil?

Nad – Minhas memórias estão um pouco embaralhadas, mas me lembro de fazer algumas caminhadas na praia no Rio de Janeiro, me lembro de visitar a estátua de Jesus com o Steve… Também me lembro do calor do público e da comida maravilhosa.

Eliton – Seria bem legal vê-lo novamente no Brasil, quem sabe com seu próprio show.

Nad – Não tenho nenhum plano imediato. Ainda estou muito envolvido com o Steve. Claro que adoraria voltar ao Brasil com meu próprio show. Vamos manter nossos dedos cruzados e esperar o melhor para o futuro.

Eliton – Nad, para terminar… Em uma palavra, o que o Genesis significa para você?

Nad – Libertação.

 

 

 

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